
Com um boom de vendas dos MP3s, iPods e pendrives, capazes de gravar gigas de músicas e arquivos de dados, o consumidor está descartando cada vez mais mídias, como CDs e DVDs. Com o baixo custo dessas ferramentas, os consumidores estão fazendo uso indiscriminado desse produto, que revolucionou a tecnologia nas últimas duas décadas. Mas, o que poucas pessoas sabem, é que jogados no lixo esses materiais contribuem para a poluição do meio ambiente.
Como a reciclagem dessas mídias ainda é incipiente, começam a surgir iniciativas de reaproveitamento de forma artesanal, na produção de peças para decoração e moda. É o caso da empresa pernambucana Lixiki, centrada na responsabilidade sócio-ambiental, que reutiliza materiais de descarte para fabricação de bolsas, acessórios para escritório, luminárias, além de criar e executar projetos de cenografia e decoração de espaços internos e externos.
No clima de fim de ano, a novidade é a produção de árvores de Natal, com dezenas de garrafas PET, que iriam parar no lixo. Até mesmo decorar árvores de verdade de uma forma inusitada, como a que fica em frente a multimarcas Misancene, na Rua da Hora, no Espinheiro. Os seus galhos receberam da Lixiki uma ornamentação natalina com mais de mil CDs, DVDs e discos transparentes que protegem embalagens de CDs, além de uma iluminação com 200 mini-lâmpadas, o que garantiu um efeito cenográfico à noite. Isso prova que é possível aproveitar essas mídias e outros produtos de forma inteligente, presenteando o meio ambiente neste Natal. “A árvore ficou diferente de tudo que já vi em decoração de Natal. Ficou com um acabamento primoroso e nem sequer, de longe, lembra que foi decorada com produtos que iriam passar anos para biodegradar”, opina Carol Levy, da Misancene.
Quatro Séculos - De acordo com dados do Instituto de Química da Universidade de São Paulo, o CD pode passar até 400 anos para se degradar na natureza. Para minimizar a situação, surgem nos Estados Unidos e na Inglaterra, empresas especializadas na reciclagem deste material. Para transformá-lo, não é uma tarefa fácil e nem barata. É preciso desmagnetizá-lo e como é composto por policarbonato (plástico), alumínio, prata ou ouro, é necessário reciclar isoladamente cada componente com máquinas especiais, o que custa muito caro.
A estrutura da Lixiki é simples e grandiosa para o meio ambiente. Das mãos de suas parceiras, as artesãs, os produtos que antes iriam para o lixo ganham novas formas e cores. Os CDs, por exemplo, foram transformados em peças de décor, calendários e até luminárias.